Segunda-feira, Abril 13, 2009

Páscoa



Esta Páscoa não saí de casa.


Brinquei com os meus filhotes, deixei-os lambuzarem-se com ovinhos de chocolate e desarrumarem os brinquedos milhentas vezes, até não haver um centímetro no chão do quarto a descoberto. O Leonardo e o Daniel fartaram-se de partilhar brincadeiras, e o Rafael, por duas vezes, preferiu o meu colo ao do pai, o que é uma coisa raríssima de acontecer.


Como ainda não aderi ao Meo nem outra coisa parecida, estou limitada por quatro canais televisivos que andei a investigar, a ver se encontrava algum filme engraçado para ver enquanto os miúdos dormiam a sesta e eu aproveitava para descansar um bocadinho no sofá da sala. Para além de terem passado - novamente - o «Sozinho em casa», o que me fez pensar que realmente não têm nem criatividade nem dó das pessoas que têm de gramar com o mesmo filme no Natal e, pelos vistos, na Páscoa também (e ainda por cima não tem piada nenhuma), passaram também vários filmes sobre Jesus. As cenas representadas entristeceram-me, tal como me entristeceu ver as cenas de autoflagelação a que várias pessoas se sujeitam para reproduzir o sofrimento de Jesus, e que foram noticiadas pelos vários telejornais. Senti-me triste porque, se por um lado compreendo que se trata de uma exaltação de fé, por outro custa-me ver que Jesus veio à Terra para nos ensinar o amor, o perdão, a esperança e a alegria, mas aquilo de que as pessoas parecem recordar-se é apenas o mal que lhe fizeram e o sofrimento, a agonia e a morte, juntamente com a barbárie dos homens. Tudo o resto fica abafado pelo grande clímax do filme, as cenas de tortura e crucificação, e em vez de experimentarem amor incondicional pelo próximo o homem quer demonstrar a sua fé autoflagelando-se pelas ruas e deixando que preguem as suas mãos e pés a uma cruz de madeira. A morte de Jesus foi igual à de ladrões e assassinos. Não foi o primeiro nem o último homem a ser crucificado. No entanto, o modo como viveu, as palavras que proferiu e os milagres que fez foram únicas. Que tal tirá-lo da cruz e representá-lo de braços abertos e um sorriso nos lábios, abraçando o Mundo??


Continuando.


No Domingo os meus pais foram almoçar a minha casa. Fiquei muito contente, até porque pude fazer algo que andava a desejar há muito tempo - poder deitar a cabeça no colo da minha mãe e sentir-me protegida e pequenina outra vez. Ela leu uma história ao meu D. com a mesma voz doce e a mesma paciência com que o fazia quando eu era criança, descrevendo as ilustrações do livro, e soube-me bem ouvir. Mais tarde, já os meus pais tinham ido embora, fui dar com o D. a contar aos manos a história do coelhinho da Páscoa, ao mesmo tempo que lhes dava festinhas e beijinhos. Nesta altura, os gémeos já estão maiorzinhos e o D. também já está a ficar um menino-homem, como ele diz, por isso têm consciência dos sentimentos uns dos outros, partilham brincadeiras e dão-se miminhos.


Antes de ir dormir, o D. lançou os bracinhos à volta do meu pescoço e disse-me:


- Boa Páscoa Feliz, Mamã.


Acho que esta frase é um bom final para este post.