terça-feira, junho 12, 2012

Por favor digam-me que quando morremos acabou-se tudo. Digam-me que a reincarnação e o céu e o inferno não existem. Por favor digam-me que quando finalmente a minha vida acabar eu não vou sentir mais nada, não vou ter de sofrer nunca mais e vou finalmente ter paz. Acabar. Deixar de ser. Desaparecer. E depois digam-me que já falta pouco, porque eu estou tão, tão cansada.

Todos os sonhos não passaram de sonhos. E eu sei que a culpa foi minha. Isso eu sei.

Alguém foi injusto comigo - e a culpa pelos vistos foi minha.

Alguém me tratou mal - a culpa é minha. (então se eu tratar mal uma pessoa a culpa será dela? Não, deve ser minha também).

Alguém disse mentiras a meu respeito - não, devem ser verdades, porque a culpa é sempre minha.

Eu sofro - a culpa é minha.

Mas atenção, que o mundo não gira à minha volta! Sim, porque eu sou linda, bem-feita, com imenso sucesso pessoal e profissional e montes de amigos que me procuram mesmo que eu não os procure a eles, e até posso dizer aos quatro ventos que o meu amor foi sempre correspondido!... tenho todos os motivos para me achar o centro do universo, certo? Tenho de ter cuidado para não me subir à cabeça...

Então... se eu tiver tudo aquilo, provavelmente foi erro de cálculo. Mas se não tiver nada daquilo... a culpa é minha!

Mas tudo isto é verdade. A culpa é MINHA de facto, porque sou EU que estou aqui, que nasci, que escolhi isto tudo. Eu entendo isso. Ou não entendo, mas não faz mal.
O que importa é que agora chega, não quero mais, quero ir-me embora!!!!!!!!!!!!!! Deixem-me ir embora!!!!!!! Eu não quero nada disto... só quero ir-me embora. Acabar. Só isso.

domingo, abril 15, 2012

15/04/2012

Há um ano estava sol e calor, e depois choveu, e depois foi mágico.

segunda-feira, junho 13, 2011

...

quarta-feira, junho 08, 2011

Escolha

Procurei-te não sei em que fim de tarde de Outono, quando o sol começava a desaparecer atrás dos montes e os seus raios beijavam ainda as folhas vermelho-acastanhadas das árvores. Em frente a mim estendia-se um caminho de terra batida, antigo e esburacado, que se desdobrava mais adiante, como que a imposição de uma escolha a partir da qual se desenharia o futuro nas linhas da vida. Por trás de mim, ao fundo, erguiam-se os montes, imponentes, difíceis de subir, parecendo fundir-se com o céu e as nuvens. Por cima destas, bem lá no alto, vislumbrava-se já o recorte branco da lua, um traço fino como a pincelada suave e precisa de um artista, uma lágrima suspensa no céu. Dia e noite, sol e lua, coexistindo em harmonia, o equilíbrio perfeito entre a luz e a escuridão, a atracção inegável de dois opostos...
Parei, no meio da estrada, sem saber o que fazer, qual o caminho a seguir. O vento não passava de uma brisa amena que acariciava o meu rosto; a minha sombra projectava-se no solo como uma extensão de mim própria. Analisei as minhas alternativas: o caminho à direita, segundo a minha vista alcançava, tornava-se empedrado e estreito, à semelhança de uma via romana, e perdia-se numa curva para além da qual eu não conseguia ver mais nada. O caminho da esquerda era uma mistura de terra e pedras, mais largo mas aparentemente mais difícil de atravessar. Olhei para trás, para a estrada alcatroada que acabara de percorrer e que terminava tão abruptamente, dando lugar a este caminho de terra batida, mas não consegui dar meia volta e regressar. Não. Era altura de seguir em frente, independentemente do caminho que escolhesse, esquerda ou direita. Não conseguia escolher. Algo tão simples, e eu não conseguia escolher. Ambas as alternativas me pareciam enganadoras, como se escondessem uma armadilha. Não queria atravessá-las. Não queria descobrir o que quer que se encontrasse para lá das suas curvas. E, no entanto, tinha de escolher, e rápido, antes que os últimos raios de sol desaparecessem e a escuridão da noite me envolvesse. Estava sozinha. Deixara atrás de mim uma vida de mentiras, mágoas e ilusões, seguia sozinha e não tinha ninguém que decidisse por mim. Pensar nisso fez-me sentir tão fraca e cobarde que soçobrei ali mesmo, à beira do caminho. Caí de joelhos e tapei o rosto com as mãos, sentindo-me mais impotente e perdida do que nunca.
Foi quando o vento começou a soprar mais forte, levantando uma nuvem de poeira, que ergui a cabeça e o vi. Era um pequeno carreiro, semi-escondido pelas árvores e pela erva, coberto por um tapete de folhas secas. Não parecia ser utilizado há muito tempo, e provavelmente não iria dar a lado nenhum, mas foi para ele que me encaminhei com determinação. Eu não era obrigada a escolher apenas entre o caminho da esquerda e o da direita. Eu podia escolher o que quisesse porque, tal como aquele carreiro, entre o preto e o branco há uma infinita paleta de tonalidades diferentes. E foi assim que tomei a minha decisão. Entrei no carreiro determinada a não voltar para trás e comecei a caminhar, conduzida pelas suas curvas abruptas e sinuosas, as suas subidas íngremes, afastando vegetação para poder prosseguir, caíndo e levantando-me, caminhando com dificuldade devido às dores e ao cansaço, chorando de raiva de mim própria, porque esquerda ou direita teriam decerto sido escolhas muito mais fáceis...
... Até que, repentinamente, quando já havia mais sombras do que luz e eu me preparava para reconhecer mais um fracasso, as árvores começaram a escassear e o carreiro terminou, dando lugar a um solo duro e rochoso. Estava praticamente no cume de um dos montes que anteriormente estavam por trás de mim. Com o coração a bater mais forte, dei os últimos passos em direcção ao cume e olhei a paisagem que se estendia à minha frente. Todo o cansaço desapareceu, a raiva foi substituída por uma sensação inegável de paz e felicidade, tão profunda e intensa que lágrimas de outro tipo escorreram pelo meu rosto e eu abri os braços e rodopiei sobre mim mesma. À minha frente, lá em baixo, o mar brilhava num azul entrecortado pela espuma branca das ondas que beijavam a praia e as rochas e raiado de ouro puro desse sol de fim de tarde de Outono, que desaparecia enfim para dar lugar à lua que, lá no alto, adquiria cada vez mais brilho e mais beleza. E então eu sorri, feliz, fechei os olhos e inspirei essa fragrância de flores e erva e sal e amor. "Encontrei-te".

segunda-feira, junho 06, 2011

(Un)Reality

É quando me refugio nos recantos negros da noite que a sinto. Vem devagarinho, silenciosa e reconfortante, como a carícia esperada de um amante, para depois me surpreender com a sua presença esmagadoramente forte e perturbadora. Embora já consiga antecipá-la, nada consigo fazer para lhe resistir e, enquanto ela penetra o mais profundo do meu ser, toma conta da minha alma e desencadeia em mim esse frenesim louco e dormente que me passa a comandar, eu sou apenas espectadora de mim própria, retirada de mim, um outro eu que não aquele que me sinto sem o ser realmente, como se aquilo que verdadeiramente sou fosse este visitante inquieto que à noite assola o meu corpo e o meu espírito. Nessas alturas, é como se toda a minha vida mais não fosse doq ue um perpétuo limbo, lusco-fusco de emoções recalcadas, crepúsculo de alguém que, sem ter vivido,a guarda a morte, e apenas vive e renasce em toda a sua plenitude nesses escassos momentos em que ela vem. Sim, é quando a sinto, essa luz diáfana e inspiradora de imaginação feita sonho, essa passagem plena para a liberdade da minha mente e da minha alma, que eu me sinto Eu e abro as portas aos sonhos, às mágoas, às fantasias e às emoções que habitualmente empurro para um recanto escondido do meu ser, longe dos convencionalismos, das regras e do politicamente correcto. Quando liberto de mim própria aquilo que Sou, experiencio uma catadupa atordoante de pensamentos e emoções, de tal forma que gostaria de conseguir escrever rápido o suficiente para poder registar tudo, mas é impossível. E então desisto e ficop apenas a sentir, enquanto contemplo as estrelas, deslumbrada com a descoberta de mais um pedacinho desse universo infinito que é este Eu, e depois fico triste por saber que não posso ser sempre assim como me descobri.

Something out of my mind

E então chegou o dia em que ele foi ter com ela para se despedir. Levava no coração a tristeza de a ver partir e a alegria de saber que ela voltaria e, embora se estivesse a despedir de duas pessoas diferentes numa só, prometera a si próprio agir como se fosse apenas uma delas. Levava algo para lhe dar, algo que representava um pouco de si. Gostaria de ficar com algo dela, mas não o disse. "Espero que corra tudo bem", disse-lhe ele. «Espero que sintas saudades minhas», pensou. Ele não precisou de lhe dizer que iria ter saudades dela, porque ela já o sabia, tal como sabia tantas outras coisas que ele não lhe podia nem devia dizer. Mas sim, ele iria sentir a falta daquelas duas pessoas que ela é, de ambas com a mesma intensidade, e aguardaria o regresso de ambas com a mesma vontade. Ele não queria que ela visse nele nada a não ser o sorriso e a boa disposição, para que assim tivesse vontade de voltar a vê-lo. Não queria mostrar tristeza nem sofrimento nem insegurança. E, por isso, sorriu, e continuou a sorrir mesmo quando se afastaram e as lágrimas começaram a correr pelo seu rosto sem que ele as conseguisse travar, enquanto pensava sem parar: «vou estar à tua espera, quer tu voltes duas ou apenas uma, desde que de uma forma ou de outra voltes para mim. Volta para mim».

A place where I can be...

Todos nós temos um local especial onde nos sentimos livres, onde deixamos cair as máscaras e nos permitimos ser, em pleno, sem termos de fingir. Podemos ir a esse local muitas vezes, ou apenas de vez em quando, mas quando o fazemos sentimo-nos renascer para nós próprios e para a vida, e conseguimos ver claramente, bem dentro daquilo que somos, e encontrar respostas para os nossos problemas. Normalmente estamos sós nesse local, mas podemnos levar lá alguém especial, que nos compreende e com quem nos sentimos bem, e podemos partilhar com essa pessoa essa sensação de paz, de liberdade e de amor incondicional que nos invade.
O meu local especial não é apenas um. É a natureza em estado selvagem, representada por uma paisagem de mar e rochas ou por árvores cobertas de fetos e musgo. É onde eu sinto vontade de abrir os braços e abraçar o universo, de fechar os olhos e ficar a ouvir o silêncio, onde me sinto simultaneamente pequena e parte de tudo. É raro ir a um local assim, e às vezes a necessidade de o fazer impõe-se-me como um ardor imenso no peito.
Quando vou, gosto de levar comigo folhas e caneta e escrever o que me vai na alma. Muitas vezes choro sem saber porquê. A maioria das vezes deixo-me deslumbrar com as maravilhas que vejo, ouço e sinto. Hoje apetecia-me ir ao meu local especial, acompanhada por alguém especial, que me abraçasse e partilhasse comigo a paz, a beleza e o encanto.

sexta-feira, junho 03, 2011

Sentir

Queria sentir. Queria conseguir deixar de sentir. Queria sair deste estado de apatia e queria conseguir chorar porque estas lágrimas que caem na minha alma e me sufocam não são visíveis... não me deixam respirar... quero ser eu, quero rir, quero o meu mar... como é que podemos perder algo que nunca tivémos? quero libertar-me de mim, quero ser uma pessoa melhor, alguém que mereça a pena amar... quero dizer tudo o que não se pode dizer e fazer tudo o que não se pode fazer e não quero nada disto... não sei quem sou, não sei o que quero...não sei para onde seguir, não sei onde ir buscar forças... não quero seguir, não quero forças... quero aquele mundo em que eu estava feliz...

sábado, abril 16, 2011

30 anos e um poema

Quem me sei não o esqueci, mas não o digo.
Prefiro esconder-me de mim dentro de mim
E assim ser apenas aquilo que pareço ser.
Sonhos, promessas, ilusões, esperanças...
Porque insistem se não vos posso ter?
Se vos abandonei quando me abandonei?
A realidade de ontem foi o sonho pleno
A realidade de hoje foi apenas a realidade
A realidade de amanhã poderá ser o que eu quiser?
A criança que fomos para onde foi?
O sorriso que temos virá do coração?
As lágrimas que não choramos virão da alma?
Os sonhos que temos poderão chegar a ser?
Enquanto a vida é vida...
Será que estamos sempre a tempo?
Será que é a idade que dita o tempo e eu devo acordar?
E começar a morrer?