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30 anos e um poema

Quem me sei não o esqueci, mas não o digo. Prefiro esconder-me de mim dentro de mim E assim ser apenas aquilo que pareço ser. Sonhos, promessas, ilusões, esperanças... Porque insistem se não vos posso ter? Se vos abandonei quando me abandonei? A realidade de ontem foi o sonho pleno A realidade de hoje foi apenas a realidade A realidade de amanhã poderá ser o que eu quiser? A criança que fomos para onde foi? O sorriso que temos virá do coração? As lágrimas que não choramos virão da alma? Os sonhos que temos poderão chegar a ser? Enquanto a vida é vida... Será que estamos sempre a tempo? Será que é a idade que dita o tempo e eu devo acordar? E começar a morrer?

Algoz

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Adormeces-me os sentidos nesse torpor oco e obscuro de que revestes o ar por onde passas sempre que anoitece no meu coração. Gostaria de te dizer como em tão pouco tempo conseguiste dilacerar a minha alma e arrancar esse âmago poderoso a que sempre chamei vida, como destruíste todos os sonhos e converteste em mágoa todas as realidades que contigo vivi. Gostaria, mas não to digo, porque a minha garganta está seca e os meus olhos enevoados. Já me secaram todas as lágrimas, já apodreceram todos os resquícios de vida, já não sou livre para agir. Converti-me na minha própria sombra, na sombra de alguém que já não é, que deixou de existir há muito tempo e apenas rasteja pelo chão sem ver o sol, encoberto pela densa vegetação. Não gosto de mim assim. Se pudesse libertar-me-ia deste invólucro amortalhado, destas cicatrizes impostas pela vida, destes sentimentos e pensamentos e aí poderia voar e ver e seguir ao sabor dessa corrente indelével e alcançar a paz e a harmonia que tanto desejo. Tu n...

Intransparente

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Na diferença entre a vida e a Vida, Na distância que mede um sonho e o Sonho, Há o desabrochar perfeito da Esperança, O renascer completo do Ser, O reconhecimento efémero do Eu.

Isto

desprendida desse cárcere que é a vida, liberta desses grilhões humanos e sociais, despojada desses ferros que me cortam a Alma, desperto. estou Viva! enfim, Viva! abro os meus novos olhos e tudo se torna mais claro. sou uma espécie de energia, livre e transparente, sem forma mas grandiosa e plena. fundo-me com a terra, o mar, o vento e o céu e estou livre, completa, sou finalmente Eu. era assim no início. há-de um dia voltar a ser. e eu espero, desejando que não demore, desejando o fim deste limbo em que estando viva me sinto morta... desejando libertar-me um dia, e voltar a ser Eu. 04/10/2010

S I L Ê N C I O

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Quando ele acordou naquela manhã, não viu ninguém. O silên cio ressoava na penumbra do quarto e ele ponderou abrir as pesadas portadas de madeira para deixar entrar um pouco de luz, mas as forças faltaram-lhe. Soçobrou, sentindo-se irremediavelmente perdido para si mesmo e para os outros, e encolheu-se debaixo dos cobertores. Na sua cabeça vagueavam medos irrisórios de espectros que viriam para o assombrar e ansiou por ruídos que se sobreporiam ao silêncio e o chamariam de volta à realidade do seu dia-a-dia e eliminariam aquele torpor onde se encontrava. Nada. Apenas aquele silêncio desconcertante, semelhante a um martelar oco e frio na sua mente, no seu quarto, no seu mundo. Ganhando uma dose de coragem, levantou-se e saiu do quarto, percorrendo com um vagar irritante as divisões da sua casa. Escuras, todas elas. Vazias. Quase despidas, quase sem alma. «Estou só», pensou. «Só». E aquela palavra tão pequena ganhou vida própria e gritou-lhe aos ouvidos do coração «ESTÁS SÓ! SÓ! SÓ!», e ...

Sonho

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(imagem de autor desconhecido) Um raio de luz penetrou suavemente no meu coração e transportou-me para um mundo de sonhos e paz. Por momentos apenas senti que era parte de um todo e que me conjugava perfeitamente com o céu e as árvores e o mar. Por momentos apenas julguei ouvir o vento murmurar o meu nome baixinho e deixei que a sua brisa acariciasse o meu rosto e os meus cabelos. Por momentos apenas a liberdade abriu as portas e convidou-me a entrar e a desfrutar da plenitude da vida. Por momentos apenas... dancei, flutuei, entreguei-me à vida e provei da sua taça de mármore e pedras preciosas. Por momentos apenas, nos meus sonhos, fui só Eu, sem amarras. Por momentos apenas, quase me deixei enebriar por essa sensação de bem-estar. Depois acordei... o sonho acabou... Talvez se antes de adormecer eu pedir às estrelas... talvez volte a sonhar assim, talvez esse sonho me aconchegue e me embale até um novo acordar, num novo dia...

Redenção

Este é um texto velhinho, que encontrei no fundo do baú... é de 02/12/1999, escrito num intervalo entre aulas na faculdade, 1º ano... que saudades!!! Ouço os gritos amargurados de quem não sabe aceitar o perdão, de quem trocou a vida por um estado ilusório de solidão e de paz. Porque é que foste embora? Não quiseste crer na realidade que julgavas mentir-te. Abraçaste o espectro que te conduziu à amargura. És culpada? Creio que não. Apenas desejaste saber, e aceitaste antes de saberes o preço que tinhas que pagar. Não aceites: Luta! Não lutes: Espera! Espera pelo dia que nunca virá, em que saberás que poderia ter sido de outra maneira... se pudesses escolher. Se tivesses conhecido antes da tua entrega. Escuta a tempestade que se aproxima: é tempo de mudança! Tempo daqueles que não são passarem pelo ciclo e aceitarem-se como entes que precisam de vir, estar e conhecer. Não adies essa mudança, pois do outro lado espera-te a desgraça eterna em que, tendo ouvidos, nã ouvirás, e deixarás de...

Aquilo que eu não sinto neste momento

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Encanto perdido no tempo em que me revejo Como barco perdido num oceano profundo de desesperos irreflectidos... Ânsias vãs de promessas quebradas ao vento, Neve de angústias e êxtases prateados... Sinto a vida em mim Como vibração de tambores acostumados ao silêncio, Projecção de slides transparentes de vento, Rasgos de gritos de almas vagabundas, Gemidos contidos do vento e da chuva. Sei que vou partir Para um lugar sem nome, Num espaço que já não existe, Onde mora a esperança; Dunas de montanhas gélidas, Laços de terra estalada pelo riso Que já não é. 10.02.2006

Mommentuuss

A luz penetrou tremulamente no hemisfério secreto dos sonhos, e por um instante, apenas breves momentos, tudo pareceu real e mágico. Soltaram-se as caraças medonhas dos pavores do inconsciente, quebraram-se como vidro oco nas entranhas da alma, e ficou apenas a esperança daqueles que não temem o infinito. Encheram-se os riachos de ilusões perpetradas por sorrisos inocentes de milhares de crianças alegres e iluminaram-se os corações dos velhos que enxergam o inatingível pela sabedoria do tempo. Olhei em meu redor e vi apenas beleza e paz, e desejei que os ponteiros se imobilizassem e o meu mundo fosse para sempre um arquétipo sem asas, a planar num universo de esferas perfeitas.

Sonho - Realidade

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Imagem do Olhares, de Miguel Silva, acompanhado da citação de Emerson: " Though we travel the world over to find the beautiful, we must carry it with us or we find it not ". Sente o Mundo com todas as tuas dúvidas e ilusões. A realidade tem a crueza da desilusão de quem não conhece a vida, e pode matar-nos por dentro. Acredita sempre em algo, pois quem não crê também morre. Sabe que és diferente do real, do universo lá fora, pois tens sonhos de homem-feito-poeta que idealiza o amor e a existência. Mas, repito, não deixes de acreditar nesse amor e nessa existência, pois ambos vivem dentro de ti, mesmo que não estejam sempre presentes no teu exterior intrínseco. Dualidade? Sempre. Mas nem todos os que a vivem a conseguem compreender, mesmo que a pressintam. E depois? Recomeças a tua luta do ponto onde a deixaste e vives. Só isso. Até quando? Até sempre. Até deixares de ser tu. Porque quem desiste por medo de viver não sabe viver. O real desconstrói os nossos sonhos para no mo...

Ausência de Mim

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Abri os olhos para a escuridão. O meu corpo contorceu-se pelas dores de mil lâminas espetadas pelo tempo, e a recordação esvaíu-se do cérebro como um cadávere corroído pelo tempo. Alguém me disse que eu já não me podia lembrar de nada e que agora podia recomeçar do zero e ser quem eu desejasse, que podia ser uma pessoa melhor . Mas o problema persistia: melhor do que o quê? Do que quem? Onde estavam as memórias de 47 anos de uma vida? Onde estava a minha vida ? Nós somos hoje um produto do que fomos, pensámos e fizémos ao longo da nossa existência; um acumular de sentimentos e sensações, de experiências, vitórias e fracassos. E eu, o que sou hoje? Um acumular de nada? Disseram-me que não tenho família . Ou será que tenho e apenas me abandonaram? Eu nunca amei? Nunca traí? Tenho algum segredo? E a minha profissão, que não lembro? E EU ??? Disseram-me que fiquei cega com o que me aconteceu . Como poderá voltar a memória se não há visão que a reacenda? Como vou reaprender o mundo? Disser...

Realidade Inconsciente

Serpentinas de luz deslizam nos meus sonhos e enchem o ar povoado de mistérios e sombras. Não creio em nada, senão em ti. Na memória de um beijo que se perdeu no tempo, de um abraço que ainda agora sinto. Não quero acordar para a vida se isso significar perceber que tu já não estás aí, que já não fazes parte do meu ser. Quero eternizar cada momento que nós tivémos e transformá-lo nos pedaços de luz que iluminam a minha vida. Mas ó!, sombra louca do inconsciente! Tu ainda estás aqui, eu ainda estremeço nos teus braços enquanto beijas o meu rosto e me dizes que o nosso amor será eterno! Então fica aqui, meu amor. Eu tornarei a chuva lágrimas de felicidade, e o vento lençóis de seda em que te deito, e a noite estrelas de mil sóis azuis para onde te levo de cada vez que te amo. 07-02-2006

Schiuu...

- Não digas nada. Abraça-me e embala-me devagarinho ao som do bater dos nossos corações. Beija-me e toca-me na face como se o fizesses pela primeira vez. Calemos as palavras; deixemos falar o coração. Ele sabe sempre o que dizer quando falha o pensamento. Schiuuu...

Abandono OU Eterno Abraço

Vens nas noites calmas de Inverno. A chuva cai lá fora, num outro espaço que não é o meu, num outro silêncio de que não fazes parte. Os meus dedos acompanham o correr dos pingos da chuva nas vidraças de uma janela há muitos anos fechada para o mundo. Vejo o escuro do céu como companheiro apaziguador da luz que me tolda os pensamentos e recordo o que outrora fui nessas estrelas brilhantes que pensam iluminar a atmosfera pesada do universo. O fogo crepita na lareira e as últimas velas derretem ao sabor das chamas. Daqui a pouco, quando a última centelha se extinguir, ficarei submersa nas sombras e no silêncio. E o bater do coração cessará também. E a imensidão da noite acolher-me-á para a eternidade. Não tenho medo. Anseio por esse momernto há muitos anos. Já se acabou a comida, e a água deposta no cântaro é turva e sabe a lágrimas que caíram pelo meu rosto em espasmos abundantes há alguns dias. Não tenho medo. Deixei de chorar quando percebi que isso me mantinha viva e lúcida. Se a lo...

Sem Sentido

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Abraça-me devagarinho nessa dormência rouca em que me projectas no infinito. Olhares que se cruzam, ávidos de sabedoria. O universo não existe. O sonho é tudo. A vida é o nada de promessas desfeitas e caprichos desmedidos que assolam o pensamento de alguém que morre cada vez que renasce pelo orgasmo das emoções irrepreendidas. Sente o quanto eu quero desprender-me em cada gesto que faço para me ancorar em ti. Em cada palavra de amor que te digo, em cada olhar de desejo, em cada carícia inocente que não te faço. O que é isto? Isto é o princípio inacabável de um não-sei-o-quê que se me impõe e se me revela à mesma luz ofuscante e baça que vejo e revejo dolorosamente. Isto é o fim de tudo o que não começou. Isto não sou eu e é cada um de nós. O que quero eu de mim? O que queres tu? O que queremos nós, vós, eles e um turbilhão de vozes indecifráveis que se misturam nas sombras negras da minha alma? Eu não tenho alma. Dei-me ao vento e ele levou-me para um espaço intermitente entre o ser e ...

Fim de tarde

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Procurei-te nas tardes de sonhos reprimidos e insatisfeitos. Vieste, enfim, com cheiro a saudade e sabor a carícias, coroado com a espuma das ondas. Recolhi-me ao teu corpo dourado do sol e escondi-me do mundo. "Protege-me!!" Abriste os braços e deixaste entrar o sol do entardecer, que penetrou o meu coração e o deixou em lágrimas. "Adeus." O mar recuou e no teu lugar ficou um rasto de luz. Perdurou no horizonte do inconsciente, ofuscou-se pelas sombras pontiagudas das rochas, gigantescas, sobre mim. Maré salgada, lágrimas de sal - a fusão do universo com a criatura. Voltei algum tempo depois. Quanto? Muito... Voltei e vi o mesmo céu ao fim de tarde, as mesmas ondas coroadas de espuma, a mesma areia quente, sedosa e dourada. E a luz ainda lá estava. "Já não sinto nada..." Voltei as costas, mas dois braços envolveram-me e apertaram-me e fecharam-se em mim num abraço profundo. "Deixa-me proteger-te..." Abri os olhos e vi um outro alguém. E os raio...

Confissão

O que é a existência senão a mera transfiguração do ser em auras e momentos de luz e sombra? Ou de ambos... todo o ser é ambíguo e mutável, capaz de se moldar e modelar a partir de si mesmo ou do ambiente em que se projecta. Passamos do ódio ao amor, da tristeza à alegria exuberante tão espontaneamente que por vezes - na maioria das vezes - essa transição é quase imperceptível. Eu carrego em mim o sabor da vida porque existo, porque me identifico com a vida nas suas vertentes de sofrimento, contemplação, alegria e luta, porque sinto em mim a vontade de ser. E ser significa conquistar, conhecer, aprender, mas também significa cair. E é nessa altura que o ciclo se renova . Desistir . Pensei nisso em diversas alturas. Pedi à minha vontade que fizesse o mesmo, e ela riu-se da minha fraqueza e mostrou-me que a vida em si é já um objectivo, senão O objectivo real, primordial, derradeiro. Quando olho para trás vejo inocência, revolta, fraqueza, dor, alegria, cansaço, aprisionamento, orgulho, ...

Toca-me ao de Leve...

Vi-te não sei em que sonho pintado de chuva, daquela chuva quente que liberta a alma e a conduz a um grau de felicidade suprema. Tocaste a minha vida ao de leve, mas a mão apaziguadora do teu olhar ficou para sempre impressa no meu coração, impregnou a minha vontade e fez-me voar sem razão até ao mais profundo de mim. Qual o ser humano que nunca amou? Que nunca chorou por ninguém? Cujas barreiras de vidro não se quebram perante o crescendum puro do inexplicável? Eu não conheço, e não quero conhecer. Eu vibro com o amor que sinto mesmo quando o recalco e ele me abrasa o peito e me faz gritar. Vibro com as memórias das palavras que disseste, os olhares que tocaram os meus e os beijos que se perderam no meu corpo. Vibro com tudo o que não me disseste, com as alturas em que não me tocaste, com o abraço em que não me refugiei. E sei que sou para ti mulher não apagada mas viva através dos tempos, alimentada pelo fogo que consome o teu espírito nas horas de solidão. Toca-me hoje, agora! Resti...

Para Ninguém

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Mas o "tu" é ninguém... apenas o eco da minha própria solidão. E eu enrolo-me sobre mim e sonho com a ilusão de amar... o amor não existe.

Pedra

Mordi a minha alma e ela voou para longe, numa viagem sem regresso. Eu fiquei ali, abandonada, pregada ao chão como um pedaço de pedra lascada sem destino. Já não sentia nada, e isso era tudo aquilo que eu queria. Ser pedra insensível ao amor, ao ódio, ao mundo, a mim própria. Desprender-me e renascer como um nada que se apaga sequencialmente até às raias da exaustão que não pode apreender. Mas não, não foi como eu quiz. A alma partiu, livre, mas o corpo ficou. Aos poucos foi saindo do torpor que o envolvera e então os meus olhos fitaram outros e brincaram com eles independentemente da minha vontade. A essência desses olhos arrepiou a minha pele e eu percebi que o meu corpo continuava vivo e sentia, oh, se sentia!!! Aninhei-me nuns braços fortes e caminhei em direcção às estrelas, louca e espontaneamente, sem medos ou vergonhas, sem amor, porque esse só se consegue com a alma e essa eu arrancara para sempre. Sou agora pedra que sente apenas aquilo que se permitir. Solidão? Não tenho me...