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Imperativo

Corre Dança Pula Sonha Ama Bate Sente Luta Sofre Acorda Abraça Ri Deseja Grita Olha Vibra VIVE!!!

(Des)construção do Eu

Eu quero escrever um poema Cheio de cores, e alma e vida, Para que ele fique registado No coração do Mundo. Vou salpicá-lo de desejos e sonhos E soltá-lo como a um pássaro, Para que bem lá do alto um dia Ele possa tocar os corações dos homens. Já o escrevi!!! Contei-lhe segredos do mar e da lua, Impregnei-o com o fogo da minha alma, E falei-lhe de alguém que não sou eu. Um dia, quando eu for velhinha, Ouvi-lo-ei nos lábios de uma criança. Como ela tão bonito e inocente! Tão alegre e positivo! "Quem o escreveu viveu feliz", ouço dizer. E eu cruzo os braços sobre o peito E fecho os meus olhos por fim, Cansados de tristeza, e ódio, e ilusões, Sem que ninguém me tenha conhecido. 30-07-2005

De dentro de mim

Quero serpentear por entre as flores Do teu jardim de sonho e vida, Oferecer-te os meus segredos, Partilhar a tua alegria e a tua dor. Vou subir à altura dos teus olhos E dizer-te que te amo Sem precisar de falar. Vou sentir a tua pele, os teus lábios, Nos sonhos das minhas noites, E acariciar cada momento Que a ilusão me dá a teu lado. Quero sentir-te bem perto, respirar o teu ar, Trazer comigo o teu cheiro, A tua essência, Despertar nos teus braços e sentir a vida Pulsar bem forte dentro de mim. Vou beber a chuva do teu riso, Enxugar o calor das tuas lágrimas, Ensinar-te a saudade, a alegria, o sentimento. E depois de tudo isto, Bem quieta, Vou pedir-te para me ensinares o que aprendeste comigo, Vou desejar que adivinhes o que te não digo, E vou fingir que tudo isto é verdade e que não acordei.

Fugi

Fugi para dentro de mim e não mais saí. Sinto-me só porque não aprecio a minha companhia. Desapareci da face do Mundo, transpareci-me até à invisibilidade de uma sombra que lá não está. Renunciei a uma vida que sinto palpitar nos recantos da minha alma, que me chama a cada esquina da existência e se desflora perante mim espontânea e convulsivamente. Não sei para onde fui que me não encontro nem mesmo no refúgio onde me encarcerei. Desintegrei-me, deitei-me fora e deixei-me sozinha no vazio. Sei que no passado longínquo da infância eu existia e estava e era como me penso, mas é impossível voltar ao que já morreu. E voltar ao que sou... Ilusão credível dos ingénuos, pois o que é nada não pode voltar a ser essência e espírito e corpo e desejo e riso!... Andei à deriva, atirei-me da ponte mais alta do sonho, voei nas asas do Inferno do passado e morri em carne e mente e atirei-me aos cães que me desprezaram. Alimentei-me de fel e enegreci completamente. Vomitei-me e renasci para a podridã...

Desabafo

Estou tão só. Sinto o vazio dos olhares dos outros, O vazio do meu próprio olhar. Quero o calor de um abraço, O fogo de um beijo, O carinho de um corpo junto ao meu; Quero afundar-me nos braços de alguém E ser feliz por um momento. Muito tempo? Pouco? Quem sabe?... Não há barreiras mas sim vontade, Não há limites mas sim desejo.

Vazio

Amanha não quero acordar. Quero acabar com a dor, Com as máscaras; Quero ser eu bem longe de mim! Quero ter coragem para dar esse passo derradeiro, Mas sei que não tenho. Já estive ali, à beira do precipício, Comecei a contagem decrescente, mas voltei para trás. Estou cansada. Cansada de lutas que eu não pedi, que eu não quero travar, Cansada de escolhas que não posso fazer, Cansada de mim. Vivi intensamente. Sofri, fiz sofrer, entreguei amor, recebi prazer, entreguei prazer e recebi amor. Fiz loucuras!... Mas dentro ficou sempre o vazio... O vazio está agora mais presente, e queima e fere! Estou só. Só em presença, só no espírito, só no coração. Não tenho para onde me voltar, não tenho, não, não... Não estou a viver. Choro. Eu sei que dois olhos inocentes anseiam por luz, precisam que eu veja por eles, E é isso que me impede, Mas será que estou a ser egoísta e má ao desejar ter coragem para não pensar nisso? Eu sei que estou. Mas está a tornar-se insuportável viver. E a culpa é do ódi...

Não me perguntem

Não quero saber o que dizem os pássaros, Tão-pouco o que contam os sinais dos céus; Quero olvidar esses sabores amargos, Essas formas de poesia que cantam a morte. Partam o mundo ao meio, Retirem a seiva quente e pulsante, Curem as feridas, E construam um paraíso de chamas E afundem-se nele!!! Ah... universo desenfreado de enredos Intrigas, preconceitos, ilusões vãs... Tétano nas veias da vida, veneno doce... Eu vivo aqui. Mas não quero. Deixem-me!!! Não!!! Eu quero voar para longe E ser um pássaro diferente. Ou um peixe com asas.

Quero

Quero Quero fugir para o infinito Rodear-me de esperança e amizade Quero Escalar montanhas e pisar a erva fofa Dançar à chuva e saudar as nuvens Atravessar raios de sol e luz Quero Quero sorrir a bandeiras despregadas E rasgar o ar com gargalhadas e beijos E pular no meio da rua Quero Cantar tão forte quanto o mar Voar alto como a areia da praia Abraçar uma árvore e falar com Deus Quero Sair à rua e beijar as estrelas Caminhar na lua e ver um reflexo De um rosto feliz, que sorri com a alma E descobrir que esse rosto sou eu E tu E o Mundo.

Gelo de Sangue

E, devagarinho como quem mede as distâncias, como quem calcula cada passo, mas com a espontaneidade própria do instinto, Lana gravou em pedra as seguintes palavras: Diman, Lembras-te da noite em que me fizeste tua pela primeira vez? De veres a felicidade no meu olhar quando me abracei a ti e te deixei tornares-me mulher, tu já um homem, determinado, carente? Lembras-te da intensidade com que te amei durante anos, adorando a tua força, a tua personalidade, a forma como falavas e olhavas para mim, o teu corpo? Lembras-te de juntos olharmos o céu e nos fundirmos nele, de mansinho, das promessas de amor, de me tomares em teus braços e dançarmos de forma mágica, esquecendo tudo à nossa volta? Lembras-te de eu te dizer que nunca amaria outro, que iria esperar por ti sempre, que nunca, nunca te iria esquecer? Lembras-te de quantas vezes me fizeste sofrer e eu te perdoei? Da vez em que mataste algo em mim e eu fiz por esquecer que tinha acontecido? Não, Diman, eu nunca te esquecerei. Como ...

A little bit of myself - to myself

Hoje não tenho inspiração. Vou falar de alguém que não sou eu... mas como é isso possível se ao falarmos de alguém, mesmo inconscientemente, acabamos sempre por retratar um pouco daquilo que somos? Talvez vá então falar de mim sem me retratar... Hoje sou o que não quero ser, mas não desgosto de ser quem não me sonhei. Vivemos por detrás de máscaras ocultas; abaixo as máscaras e as ilusões! Mas, todavia, sonhar é sempre bom quando apenas se tem o sonho. Mas eu não sei quais sãos os meus sonhos. Já esqueci. Não o sei agora, mas recordo todos os sonhos do passado e, meu inimigo mais poderoso, como os desejo esquecer! Há desejos que matam, sonhos bons que atormentam e nos destroem. Pode-se sonhar, mas nem todos os sonhos devem ser saboreados pela experiência. O que sei eu da vida? Muito... e talvez nada. O nada das certezas é amargo e corrosivo; lancemos o nada às chamas e obteremos um tudo que se auto-destruiu. Lancemos o tudo ao vento e teremos um retrato daquilo que consegui com os meus...
Imagem
Here I am... 

A Estrela mais Brilhante

Procuro a essência do teu olhar no lago profundo e misterioso daquilo que procuras em mim. Onde está o sonho que te uniu a mim no mar da esperança? Onde o sorriso que me fez procurar o significado da vida? Tento compensar a tua ausência com as recordações. Recordações do mundo que vivemos juntos, com o amor que tu me deste e que eu te dei. Foi o universo que te roubou de mim? Foi o mundo, ou fomos nós que não soubemos encaminhar os nossos sentimentos para um bem maior? Mergulho o meu olhar na lua prateada que me observa, e encontro lá o teu próprio olhar. Vazio. Sem vida. Não há nada que eu possa fazer. Nada que te devolva ao corpo que eu amei. * A tua alma é agora livre e feliz. Tens agora em ti, real, o sonho que te fazia desesperar por não ser verdadeiro. Tens a oportunidade de uma vida espiritual bem melhor. Devia estar feliz por ti, mas o meu materialismo, o meu egoísmo, impedem-me de me alegrar pela tua libertação. Os meus olhos já não vêem, só sinto a dor, a angústia porque nã...

Metáfora

Olho a lua que enfeita a noite sombria, emitindo raios de luz ofuscante que violentam o meu ser. Prende-me no meio dessa mórbida loucura dormente e expandida e permite-te voar, flutuar num espaço onde chovem estrelas de fogo colorido e ofuscante, e transporta-me nesse teu abraço esmagador e sublime até à mais perfeita forma de sentir aquilo que somos sem medo do julgamento que nos condena à morte. Somos um produto de algo puro e inconstante, maléfico e divino, protector e ameaçador. Corremos nesta corda bamba das emoções, dos risos sufocantes de lágrimas, e não sabemos se do outro lado subsiste a morte crepitante ou a salvação momentânea. Sinto o teu beijo que queima os meus lábios por entre as sombras bruxuleantes do pecado que não vai existir, e procuro a essência da tua alma para além daquilo que a encerra. Responde-me! Mata de uma vez a ilusão angustiante de quem ainda acredita num sonho que não é cremado pela vontade egoísta dos punidores dos que amam, mas mostra-me aquilo que és ...

Devaneios (I)

Raios de luz perdidos na imensidão de um olhar que murmura palavras que os lábios nunca conseguiriam dizer excepto num beijo. Recordo a maneira como me prendi nesta profusão de sentidos em que pude dizer que fomos um do outro, num lugar sem tempo e sem memória, perdidos para sempre na amplitude daquilo que tu criaste para mim quando me envolveste no teu corpo de luar. Quero-te, e nessa ânsia de querer chego a odiar aquilo que me fazes sentir, a forma como me fazes desejar sair daquilo que sou eu dentro de mim e partir para um lugar onde possa começar de novo sem amarras, sem sofrimento. 2000

Devaneios (II)

A verdade que procuro para mim própria é aquela que os sentidos me negam, perdidos na mais absurda forma de acção daquilo que não é e não pode existir. Sinto que navego num barco sem ancoradouro sem ponte onde amarrar a corda do destino e, no entanto, reconheço que a verdade da luz subsiste para lá das cortinas de aço que eu própria construí. Sei o que é o certo e o errado, e mesmo assim tento encontrar no errado algum aspecto positivo que me faça seguir em frente – mesmo sabendo que nunca o vou encontrar, porque ele não existe, nem mesmo na minha imaginação. Teia de sonhos, teia de enredos e de esperanças destruída por um dedo imaginário que padece na obscuridade de uma palavra que nunca será dita. 2000

Devaneios (III)

As sombras adensavam-se cada vez mais. Era necessário fugir, encontrar um modo diferente de ser e de sentir a nossa própria ambiguidade e fazê-la retroceder até ao final dos tempos, até onde já não existisse mais a noção daquilo que podia ser e não foi feito. E então procuras a luminosidade daquele que foi o teu primeiro olhar, o primeiro olhar a sério para dentro da tua própria alma, do teu único ser, e encontras a multiplicidade, a divisão das formas, da essência de uma vida que anseia pelo reencontro e tem sede de conquista. Queres aperfeiçoar-te, perder-te no mais fundo abismo de ilusão e permanecer aquém de tudo o que te é negado, mas as tuas próprias fronteiras alargam-se, e aí é só o vazio, a incerteza de uma oração que não foi ouvida e te foi simplesmente negada, de algo que podias ter feito que te possibilitasse viver com a certeza de que não és quem pensas ser. 2000

Devaneios (IV)

Perdida nesse sonho, sem saber o que fazer par ame reencontrar no mais infinito do ser e de toda uma realidade que teima em sobressair do mais perene que existe no Mundo. O Amor mostrou-se-me num instante, sem eu saber se o sonho tinha acabado de começar ou se a vida me iria reservar mais alguma surpresa. Entreguei a minha alma, o meu corpo, todo o meu ser a algo que eu desconhecia e almejava simultaneamente encontrar, mas fui submetida ao mais tortuoso martírio, que é o sofrimento dos sentidos, quando o espírito e o desejo se fundem numa amálgama colorida e penetram na mais estranha ambiguidade do ser. Envolvi-me nessa aventura dos sentidos. Permiti-me encarnar todo o amor e entreguei-me à fantasia. Amei e sofri. Fui amada? Não sei... O que é o Amor, a não ser aquilo que quisermos fazer dele? 2000

Devaneios (V)

Once upon a time there was a beautiful girl who lived on a hill. She looked like an angel, but she didn’t have the wings to fly. She died without knowing how to live. 2000

Devaneios (VI)

Olhos de cristal... gotas de água pura e cristalina que se prende nas pétalas da mais perfeita rosa, esperando o desabrochar de um novo dia... Amo a tua solidão desesperadora, a tua obsessão pura por aquilo que é belo e inocente, mas não compreendo onde te escondes. Representas a minha procura e a minha renúncia... o que me faz lutar e desistir... a minha felicidade e o meu sofrimento... Amo aquilo que tens de sublime: essa mistura entre o bem e o mal, entre o negro e o transparente, na luta que travas contigo próprio. Amo-te e não sei porquê. Procurei esquecer-te, para te amar cada vez mais. 2000

Devaneios (VII)

Para onde foi o sonho, quando apenas restou a mágoa? Para onde foi a vida, agora que a morte assoma à tua porta? Para onde o amor, agora que a solidão é a tua única companhia? E no entanto foste tu quem quis assim... 2000